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Diferentemente das outras matérias escritas para o site, esta trata de um método de tratamento, não de uma doença.

Por que escrever sobre a artroscopia do punho e da mão? Porque este método, apesar de não ser “novo” é moderno, atual e inovador.

A Medicina passa por períodos, “eras, e nós estamos na época das cirurgias minimamente invasivas. O ideal destes procedimentos é diminuir a agressão cirúrgica e maximizar os resultados. Quanto maior a via, quanto maior o “procedimento em si”, maior a resposta imune-endócrino-metabólica do organismo e mais difícil será o pós-operatório, com aumento do edema, da dor, hematoma e cicatrização. Se a manipulação for intra-articular, maior a chance de artrofibrose, perda de mobilidade e força. O período de recuperação também será mais prolongado em cirurgias de porte maior. 

Então, em Cirurgia da Mão, o método mais eficaz de cirurgia minimamente invasiva é a artrosocopia do punho e da mão. Nós a utilizamos para manter os mecanoceptores e a sensibilidade da articulação, para diminuir a chance de artrofibrose e perda de mobilidade no pós-operatóirio, para acelerar o processo de reabilitação e para “ver melhor” dentro das articulações. 

E o que conseguimos fazer por via atroscópica? Nos últimos anos, quase todas as técnicas tradicionais ganharam sua “versão” por artroscopia. Contudo, nem todas elas estão sacramentadas. Aqui, vou citar algumas lesões que são bem tratadas por via artroscópica. Algumas delas, já com evidência científica de que são “melhores” do que os procedimentos tradicionais “abertos”.

Cistos sinoviais

A maior vantagem de se tratar os cistos sinoviais por via artroscópica é a possibilidade de observar os ligamentos intrínsecos e extrínsecos do carpo, que podem estar comprometidos pelos cistos ou estes pseudotumores podem ser consequência das lesões ligamentares. Os cistos dorsais e palmares (volares) do punho são tratados de forma segura e com vias muito pequenas. 

Complexo da fibrocartilagem triangular

As lesões do complexo da fibrocartilagem triangular (CFCT) são, provavelmente, a melhor indicação de tratamento artroscópico de todas as lesões do punho e da mão. Não há outra forma para observar tão bem a s lesões da região quanto por artroscopia. Pode-se fazer os testes de estabilidade para o CFCT: gancho e trampolim. Realiza-se debridamento da lesão e sua reinserção periférica na cápsula articular ou na fóvea (região da base do estiloide da ulna. Há algumas técnicas para o reparo artroscópico da fibrocartilagem triangular, mas, nenhuma delas se mostrou superior às demais. 

Ligamento escafolunar

Os tratamentos das lesões do ligamento escafolunar ainda não apresentam resultados constantemente bons. Pela artroscopia do punho, temos a oportunidade de observar este ligamento tanto pela articulação rádio-cárpica quanto pelo médio-cárpica. Desta forma, pode-se identificar a extensão da lesão do ligamento e conferir a redução da articulação e estabilidade após o reparo ou reconstrução. Minha técnica preferida de reconstrução do ligamento é a de “Corella”, com um neoligamento que faz 360 graus ao redor do escafoide e semilunar. Os trabalhos científicos mostram que fazer estes procedimentos por artroscopia aumenta a chance de bons resultados de mobilidade e força no pós-operatório.

Retirada de corpo estranho ou corpos livres intra-articulares

Como se tem uma visão muito mais ampla e maior “área de trabalho” quando colocamos a câmera e os instrumentos por dentro da articulação, obtém-se melhores resultados, com uma agressão infinitamente menor ao se retirar corpos estranhos ou livres por via artroscópica. 

Doença de Kienböck

A Doença de Kienböck, ou necrose avascular do osso semilunar, é uma doença rara que acomete o punho. Para ditar o tratamento a ser escolhido, deve-se avaliar a viabilidade das articulações: distal do semilunar, proximal do capitato, proximal do semilunar e fossa do semilunar no rádio. Foi criada uma classificação e um algoritmo baseado em como estas articulações se encontram no procedimento artroscópico. 

Artrodeses parciais do carpo

Artrodese é o nome dado quando propositalmente, retiramos a mobilidade de uma articulação e fazemos com que se crie calo ósseo nela. Por artroscopia, podemos fazer artrodeses entre o escafóide e o capitato; escafóide, trapézio e trapezoide (tri-escafo);  4 cantos (semilunar, capitato, hamato e piramidal);  rádio, escafóide e semilunar, dentre outras. Tem-se obtido sucesso em fazer estas artrodeses com menor destruição capsular, sem necessidade ou com menor necessidade de enxerto ósseo autólogo e com melhores resultados de mobilidade final. 

Rizartrose

Algumas técnicas para o tratamento cirúrgico da rizatrose têm advovado a ressecção parcial via artroscópica do trapézio e reconstruções ligamentares associadas.

Auxílio no tratamento das fraturas da região distal do rádio

As fraturas da região distal do rádio podem ter envolvimento das articulações rádio-cárpica ou rádio-ulnar distal. Há probabilidade de 90% de artrose pós-traumática em 5 anos, com apenas 2mm de desvio articular. Para se evitar esta estatística, utiliza-se a artroscopia do punho para melhorar a redução dos fragmentos articulares e, ainda, pode-se avaliar lesões ligamentares associadas.   

Artigo escrito pelo Dr. Diego Figueira Falcochio

Médico Ortopedista especialista em Cirurgia da Mão e Microcirurgia

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